Os vídeos que apresento a seguir surpreenderiam se não fossem da China , a maior potência do Levantamento Olímpico, que é praticado de forma integrada às escolas e faculdades, com crianças recebendo boa alimentação,bons cuidados de saúde, estada, transporte, estudos biomecânicos e funcionais, trabalho preventivo de lesões e, claro, ótimas instalações.
Crianças do primário recebendo seu certificado de uma competição de LPO
Instalação regional padrão da china
O trabalho se intensifica conforme o atleta cresce, na infância ele treina em instalações escolares, quem se destaca é indicado pelos professores para centros locais mais desenvolvidos, se evolui passa para centros regionais com trabalho já voltado para competições de alto nível, com equipes de vários profissionais (psicólogos, nutricionista, fisioterapeutas, médicos etc..) voltados para já consideradas "estrelas", muitíssimo respeitados na sociedade. Os melhores vão para o centro nacional, gigantescas instalações que reúne a nata da nata do LPO chinês e consequentemente mundial. Equipe de nutricionistas especializadas para categoria feminina.
Vamos aos vídeos:
Garoto chinês com 8 anos de idade realizando o arremesso com 75Kg
O vídeo que apresento a seguir nos dá o privilégio de ter como instrutor uma lenda do Levantamento Olímpico: Tommy Kono.
Ele é venerado nos EUA não só como atleta mas como um dos maiores instrutores/técnicos da modalidade, admirado por atletas e professores. Nascido na Califórnia e descendente de japoneses, Kono foi medalhista de ouro nas olimpíadas de 1952 em Helsinki e 1956 em Melbourne além da prata em 1960 em Roma. Foi campeão mundial entre 1953 - 1959 e bateu 26 vezes recordes mundias em quatro classes de peso diferentes. Também possui Três títulos pan-americanos o último conquistado aqui em 1963 no Pan Americano de São Paulo.
Tommy Kono no alto do pódio em 1956 nos Jogos Olímpicos de Melbourne, na Austrália.
Sua trajetória como treinador também chama atenção. Ele foi técnico da equipe olímpica do México em 1968, levando o esporte a um país que tinha pouca tradição no esporte de levantamento de pesos antes da chegada Tommy lá. Tommy passou a treinar a equipe olímpica da Alemanha Ocidental em 1972, e regressou aos EUA e foi técnico da equipe americana nos jogos de Montreal em 1976. Também obteve sucesso como Bodybuilder,sendo Mr. Universo em 1955 , 1957 e 1961.
Feitas as apresentações, vamos à aula de Kono, ele é um ótimo instrutor e é muito fácil de acompanhar passo a passo as suas instruções:
O paulistano Lauri Blair era um judoca promissor aos 21 anos. Foi quando começou a levantar peso nos treinos. A rotina de movimentos com os halteres agradou tanto que o fez trocar de esporte. E o levantamento de peso, que era uma atividade complementar, tornou-se profissão quando os resultados começaram a aparecer. Atual recordista brasileiro, com 202kg .
Ele tem 1,85 m e 120 kg. É o recordista brasileiro do levantamento de peso. Lauri Blair é o único pesista da história nacional a levantar mais de 200 kg. Seu recorde: 202 kg. Antes de 2006, a única pessoa que chegou perto dos 200 kg foi seu atual técnico, Edmilson Dantas – 197,5 kg em 1998.
Principal atleta do levantamento de peso brasileiro, Lauri Blair tem a seu lado, diariamente, a inspiração de que precisa para conquistar uma medalha no Pan-Americano.O seu treinador é Edmilson Dantas (http://www.geocities.com/eddima_2000/ ) , principal atleta do levantamento de peso do país nos Jogos. Dono de cinco medalhas pan-americanas e com três participações em Olimpíadas, o técnico arranca elogios de seu principal pupilo.
Certa vez ao ser questionado sobre a possibilidade de treinar em alto nível no Brasil, Lauri não titubeou. "Dá para treinar em alto nível sim, até porque o meu treinador é o Edmilson Dantas, que foi para três Olimpíadas e tem cinco medalhas nos Jogos Pan-Americanos", disse o pupilo.
Mas, pelo menos no que diz respeito a recordes, o aluno já superou o professor. Em 2006, Blair foi o primeiro brasileiro a levantar mais de 200 kg ,é o atual recordista do país com 202 kg. Antes dele, só Dantas havia se aproximado da marca, quando levantou 198,5 kg, em 1998.
Nome completo:Lauri Henriksen Blair
Data e local de nascimento:16/07/1977 em São Paulo (SP)
Peso/Altura:120 kg / 1,85 m
Residência:Rio de Janeiro (RJ)
Categoria: Adulto Mais de 105 kg
Técnico atual: Edmilson Dantas
Títulos conquistados: Medalha de Prata Jogos Sulamericano 2006, medalha de Bronze Jogos Sulamericanos 2002, campeão Paulista e Brasileiro recordista Paulista e Brasileiro, detentor do maior peso levantando no pais, 200 kG de arremesso.
Lauri Blair treina no Esporte Clube Pinheiros (ECP) um dos clubes que mais incentivam os esportes em geral no Brasil,(a página do ECP, http://www.ecp.org.br/esp_modalidades.asp ), e o maior centro de Levantamento Olímpico do país.
Através da análise biomecânica do movimento de arranco e do clean (arremesso), os cientistas esportivos concluíram que a estrutura cinemática da execução destes movimentos é praticamente idêntica. Assim foram divididos em seis fases fundamentais:
1- Posição inicial;
2- Primeira puxada;
3- Transição;
4- Segunda puxada;
5- Deslize;
6 - Fixação
Atleta executando o Clean (1o. parte do Arremesso)
1. PosiÇÃo Inicial ( posição “A”) Os pés estão totalmente apoiados no solo, o quadril está numa posição mais alto do que os joelhos, as costas estão em posição ereta e relação aos ombros, que estão à frente da barra. Os braços ficam estendidos, porém sem tensão, e as mãos fazem a pegada (distância das mãos) na barra de acordo com o exercício (arranco ou clean)
2. Primeira Puxada ( posição “B”) A importância da execução correta da primeira puxada é de retirar a barra do estado de inércia, dando início à aceleração vertical da barra. A movimentação inicial da barra e do atleta são resultados unicamente da extensão dos joelhos, enquanto o quadril e as costas mantêm a posição original. Os ombros continuam posicionados à frente da barra e os pés continuam apoiados no solo. O final da primeira puxada ocorre quando a barra atinge a altura dos joelhos.
3. TransiÇÃo ( posição “C”) Sem interromper o movimento de ascensão da barra, o atleta deve agora movimentar rapidamente os joelhos, para trás e para frente, para posicioná-los embaixo da barra. Ao mesmo tempo, ocorre a extensão do tronco de volta à posição vertical, trazendo a barra para próximo do quadril. Esse movimento para trás e para frente dos joelhos resulta numa pequena flexão do mesmo (10º a 20º) e é conhecido como dupla flexão dos joelhos.A dupla flexão de joelhos está relacionada ao ciclo alongamento-encurtamento (CAE).Realizar a dupla flexão de joelho é importante pois o CAE produz aumento na força concêntrica durante a segunda puxada (1) .
4. Segunda Puxada ( posição “D”) A segunda puxada começa com o movimento do tronco para a posição vertical. Ocorre a extensão do quadril e dos joelhos e inicia-se a flexão plantar do tornozelo, responsável por 10% da máxima velocidade da barra. A extensão completa das três articulações (salto vertical) faz com que os pés percam contato com o solo e que a barra atinja a sua máxima velocidade vertical, juntamente com o pico de força e potência (1) .
5. Deslize (posição “E”) Com o final do movimento de ascensão da barra produzido pela puxada, o atleta executa um movimento de agachamento profundo, ficando assim posicionado abaixo da barra.
6. FixaÇÃo ( posição “F”) Os pés ficam firmemente apoiados na solo e os braços estendidos (arranco) ou flexionados apoiando a barra nos ombros ( clean ) para frear o movimento de queda da barra. Assim que a barra está em pleno equilíbrio o atleta fica de pé.
O deslocamento vertical e horizontal da barra pode ser analisado através do plano sagital. A análise da trajetória da barra serve para a detecção de erros técnicos. Outra observação importante é que a barra não é levantada "em linha reta" do solo até acima da cabeça, pelo contrário, ela acompanha o corpo do atleta.
Durante a 1ª puxada e transição a barra é movimentada para trás, na direção do atleta, devido à ação máxima dos extensores do quadril, joelho e tornozelo. Na segunda puxada, a barra é movimentada para frente. Isso se deve à completa extensão do corpo do atleta no final da puxada, ficando na ponta dos pés, o que projeta o quadril à frente. Novamente a barra é movida para trás para o agachamento completo durante o deslize e fixação.
Incluo alguns vídeos para facilitar a compreensão:
Sugiro que quem se interessa por Levantamento Olímpico tenha esse vídeos no computador para ver e rever , de preferência em tela grande,para analisar a progressão movimento .
Outra sugestão: Com papel e caneta tentar identificar as fases do movimento,é muito didático e vai ajudar-lhes muito a assimilar a técnica e levar para seus treinos.
Posso parecer repetitivo,mas reparem nos vídeos a hiperextensão realizada pelos atletas , pois os levantadores de peso são basicamente hiperextensores de quadril.
Análise em vídeo da trajetória da barra:
Comparação de estilos entre dois atletas:
Sobreposições de movimento e mais análises:
Mais um ótimo vídeo com comparação entre atletas:
Análise técnica no Arnold 2007:
*Vídeos selecionados e postados pelo autor do Blog
Treinamento Polonês de Levantamento Olímpico,pra quem gosta do treinamento da velha escola:Muito peso, exercícios básicos, multiarticulares. As máquinas só eram usadas para lapidação.
Os levantadores olímpicos chineses se firmaram em Beijin 2008 como os melhores do mundo,superando potências como a Rússia(e demais países do bloco soviético),Polônia,Bulgária etc..
por Edmílson Dantas e João Coutinho O Levantamento de Peso Olímpico (“olimpic wheightlifting”) talvez seja o esporte de força menos conhecido pelo público. Frequentemente confundido com o Levantamento Básico (“powerlifting”) ou com o popular Fisiculturismo (“bodybuilding”) , o LPO é uma das modalidades mais antigas do quadro olímpico, tendo sua participação iniciada nos Jogos de 1890! O objetivo do LPO é levantar a maior quantidade de peso acima da cabeça em dois movimentos: o arranco (“snatch”) e o arremesso (“clean and jerk”) . Para cada movimento o atleta dispõe de três tentativas, podendo aumentar o peso da barra à medida que sua tentativa é válida. É declarado campeão o atleta que levantar a maior quantidade de peso somando-se a melhor tentativa do arranco com a do arremesso. No primeiro movimento da competição, o arranco, a barra é levantada em um único movimento do solo até acima da cabeça (Ver Videos)*.
O segundo movimento, o arremesso, é dividido em duas fases. Na primeira fase, conhecida como 1o. tempo ("clean"), a barra é erguida do solo até os ombros em um único movimento . A partir daí se inicia a segunda fase, o 2o. tempo ("jerk"), onde o atleta num movimento explosivo “joga” a barra do ombro até acima da cabeça, utilizando-se da técnica da “tesoura” (afastamento antero-posterior dos pés). Obs:Alguns atletas mais baixos não utilizam o movimento de tesoura**
Treinamento Competitivo O treinamento competitivo do LPO está fundamentado em três princípios do treinamento:
1) especificidade;
2) sobrecarga
3) variabilidade.
Para atingir estes objetivos, o LPO desenvolveu o método da periodização , difundida mais tarde para as demais modalidades esportivas. Para cada fase do treinamento, o levantador olímpico altera o tipo, o volume e a intensidade dos exercícios de treinamento, que no LPO são divididos em :
- Técnicos: arranco, arremesso e suas variações.
- Especiais: agachamentos , puxadas , terra (força específica)
Neste esporte o sucesso depende da capacidade do atleta de combinar força, força-rápida (ou potência) e técnica apurada. Em virtude dessas qualidades que o levantador de peso desenvolve, o LPO tem sido utilizado como parte do treinamento de força de outras modalidades esportivas – no atletismo, basquete, tênis e beisebol . Este aspecto será melhor discutido em um próximo artigo. Edmílson Dantas , técnico de LPO do EC Pinheiros
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